Tira-me

Posted Setembro 29, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

Tira-me, o sono…
Dá-me o pesar.
Olha com calma, tudo se acalma
Faz-me só olhar…

Tira-me, o peso…
Que só faz cair.
Só um instante, mero semblante
Deixa-me possuir…

Tira-me, o canto…
Fique só com a voz.
Não possuo, não vejo, nem fruto: desejo
De um final qualquer…

Tira-me, a calma…
Tira-me, a alma!
Faz o que queres.
Seja o que quiseres.
Somente vá embora depois…

Tira-me, o pranto…
Tira-me, o manto!
Descubra-me todo, jogue-me ao lodo
Insira-me.
Inspira-me.
Impeça-me.

Tira-me a vida!
Tira-me as feridas!
Tira-me tudo!
Tira-me o mundo!
Tira-me o triunfo!
Tira-me o defunto!
Tira-me ao fundo…
Tire, logo… meu coração…

Apenas esqueça…
Que eu desapareça…
Que seja apenas, mera lembrança
Que não seja Menelaus, não seja Orfeu.
Que seja apenas Eu.

Um mero viajante…
Simplesmente constante.
Não há mais nada depois de um limite
Não há servo que ainda’sim insiste

Sou apenas… um simples imortal…
Tira-me o Dom.
Deixa-me morrer.


Read the rest of this post »

Rimassílabas

Posted Setembro 24, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

Amigo
Perdido entre o tempo
Querido
Sumido no templo
Sentido
Um extremo infinito do…

Tempo
Um nada sem armas
Sedento
Se sangue, de água
Momento
Ínfimo de chagas e…

Pragas!
Não tanto que encando
Nadas!
Sem manto nem santo
Fadas!
Gritando, chorando
Casas!
Queimando queimando…

Tudo…
Fundo…
Mundo…
Imundo…


Read the rest of this post »

Cativo

Posted Setembro 21, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

O silêncio incide
insiste
em nós

O intenso
provoca
invoca
minha vós

O querido
perdido
sentido
sem nós

O cativo, não vivo, não mais, em vós

E, se torna apenas silêncio
E de silêncio,
antemão:
Esconde-se,
inflige,
corre e percorre.

O que sinto?
Não sinto.
Suspiro.

Mais que um prodígio,
amante,
cantante

O que finjo,
nada,
nem rasga

A carne,
a mente,
o cerne,
o sem Alcatraz

O Silêncio,
é o ínfimo visto.
O não persuadido.
O jeito mais fácil, o pedido amargo!

Nas veias,
o gosto.
Na boca,
o rosto.
Calado como nuvens em forma de cães…

Agora!
Agora!
O que fazer?

Agora!
Agora!
Só ver…


Read the rest of this post »

Pirâmide

Posted Setembro 7, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

Deste mar, caro par
Trago as mais simples lembranças
Vindas de outono invejante, perdidas, em sermões maestrantes

E sem ar, mas sem par
Pelas tenras e infinitas sensações
Como era antes bela, minha amada, idolatrada, ensolarada

Tão pra mim? Que a sim?
E que foram, esses lagos, e rios sem fim?
Qual a calma que te acalenta
Qual a alma que se sustenta
Cá estou, eu, um mero ser…

Por entre estradas desoladas
Montes de Sol e de Cruz
Deitado em repouso, à tua espera
Como quem vê, como quem olha, a esperança a meia luz

Se canto, emano
A voz que queres ouvir.
Se grito, inspiro
A dor que há em ti.
E se choro, imploro
Que fazes tu a mim?

Ficas.
Ao meu lado.
Dá-me teu perfume.
Empresta-me teu olhar.
Traz a mim um pouco tímida.
A mais bela das canções, a simples.
Sim, enche, de alegria, toda minha vida.


Read the rest of this post »

Canto

Posted Agosto 30, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

Cantos, mais do canto
O que nunca tive coragem
E agora? Que mãos se esgotam?
Que mais que seja a se adorar?

Cantos, e sempre ecoantes
Sussurrados pelos anjos
Por que tão difícil?
Por que tão impossível?
Qual o motivo de tudo?

Cantos, entre as estradas
Pelas esparsas veias do mundo
Onde me escondo,
Onde me encontro,
Onde sempre te procurei…

Cantos. Quantos mais cantos?
Faltam, para o fim, da melodia?
Sim… quero o novo… tudo de novo…
Nada de poesias

Canto?
Será que a ti canto?
Será que encanto?
Será que acalanto?
Será que espanto?
Será que nem tanto?
Será que portanto?
Será que a ti canto?

Será que é só canto?
Será que é só pranto?


Read the rest of this post »

Não sejamos tristes

Posted Agosto 30, 2008 by K Stênio
Categories: Crônicas

Cá estamos nós, aqui, isolados e desolados. Em certos pontos, creio eu que seja por vontade própria: eu, por optar em continuar a te olhar, tu, por optares a continuar a chorar. E qual seria o sentido desse mar de pensamentos? E qual seria?

Quisera eu poder simplesmente deixar as coisas como estão. Não ligar para a tua dor(já que não ligar para a minha é fácil: já experiente sou em coisas do assunto…), mas como? Ver a mais bela das faces perante mim, e sentir o semblante da infelicidade é simplesmente o mais tenebroso de todos os castigos. Se me perguntares “Castigo por que?”, provavelmente irei dizer-te “Não faça perguntas para as quais as respostas já tens”, e é verdade. Sabes bem meu pecado. Seja pelo tempo, seja pelo simples dizer…
Read the rest of this post »

Alegria Viva

Posted Agosto 23, 2008 by K Stênio
Categories: Poemas

Lembranças… das poucas vezes que nos vimos
Perenes, em minha mente dançante
Olhando aos tênues veios de radiância
O seguir do teu olhar cativante

Nelas imerso digo sou
Mas, não tão assim, mero seguidor
Vejo o fluir do movimento
Sinto.
O não despertar do contentamento

Poucas vezes, quantas foram, que os olhos se encontraram?
Mas, isso importa não…
Necessário sim é, então
O carinho,
O caminho.

Mil anos sem se falar
E eis que, agora mais distante, de antes nunca
A amizade vem a fluir.

Agora, o que tem que ocorrer além de se seguir?
Ocorrerá o não sentido. Talvez o sem sentido.
E mais e mais… as letras se encontrarão…
E os versos mais que lidos, cantarão…
E, quem sabe, as faces se revejam então…

E pensando em tanto ter não ter
Sendo, que, em fim, talvez nem tão perto longe estejamos
Meramente distantes, sem mãos
Mas não sem vontade, então.

É um prazer ter-te perto quando não
É alegria viva saber que vives aqui lá não…


Read the rest of this post »