Ensaio sobre o cavalheirismo

Primeiramente, venho a dizer que este texto tende a ser grande, mas não tanto quanto outros já escritos aqui no Poéticas. Para aqueles que não estão com paciência e buscam meras palavras, mas não querem cansar a vista e a mente em leitura: pare. Assunto de tal magnitude não pode ser tratado como os escritos que comumente escrevo: em versos. Deve, sim, ser tratado em forma de prosa, conversa, briga e histeria. Tratado como algo que necessita de tratamento especial, sem necessidade de metricas, rimas, ou até mesmo verso livre. Um assunto a ser tratado em crônica.

Nessa pequena obra, venho a indagar essas grandes e conflitantes idéias no que concerne a dois conceitos rasoávelmente próximos e obscuramente distintos. O primeiro é o romantismo, mas sem muita importância, posto que muitos já falam sobre ele. O segundo, nosso tema mor, é o cavalheirismo.

Quando nos vem a palavra “cavalheirismo” na cabeça, quais as coisas em que mais se pensa? No respeito? No aceitar? No fazer as coisas em prol do outro gênero? No, simplesmente, ser cavalheiro?
Esse, é, logicamente o plano ideal. O feito para perpetuar sobre nossas cabeças e mentes, e quem sabe favorecer a uns poucos(e espertos), nesse mundo insano em que vivemos.
Mas, é isso mesmo o que acontece? Ora, pense no que ocorre. Agora, pense no que REALMENTE ocorre e verás que essa tão valorizada qualidade não passa de lixo… (para aqueles que acharem que estou sendo rude, retifico: talvez um pouco mais, ou talvez um pouco menos.)

Escrever sobre cavalheirismo, ou melhor, ensaiar sobre a não existência dele, parece ser uma crítica explícita as mulheres, posto que quem escreve é homem. Pois bem, já de inicío digo(até porque muitos daqueles que ocupam seu tempo lendo meus pensamentos são mulheres): essa não é a intenção. Logicamente que minha não crença no cavalheirismo nasceu da incoerência entre o que, em geral, as mulheres pregam e fazem, mas não digo que tudo é regra. E mesmo que o fizesse, ora, para toda regra há exceção.

Pois bem, venhamos ao primeiro fato. O que vem a ser cavalheirismo.
E o que seria mesmo?
De acordo com o dicionário, e a crença comum, a resposta é simples: o ato de ser uma pessoa gentil, dedicada, e empregar dos meios possiveis, em determinadas situações, para que possa propiciar à outra pessoa, conhecendo ou não, o máximo de conforto e bem estar nesse momento. Isso não implica em dinheiro ou coisas do gênero. Como disse na definição, “empregar dos meios possíveis”, e logo, pode ser aplicado a qualquer pessoa, em qualquer classe econômica ou social, se é que podemos fazer esse tipo de divisão aqui.

Ao segundo fato. Por que as pessoas gostam de pessoas cavalheiras.
Se formos olhar a fundo na definição, não há muito segredo nesse fato. A qualquer pessoa, que seja meramente sensata, faz sentido dizer que é confortante estar em um ambiente onde haja uma pessoa cavalheira, certo? Term alguém por perto que faça o possível para propiciar o máximo de conforto a nós mesmos é simplesmente bom, e isso já é o suficiente. Note que, o ser cacalheiro é diferente do ser “grudento”. O cavalheiro faz o que é propício sem exageros, em momentos oportunos. O “grutendo”, seja o que quer que faça, o faz em excesso, e em momentos inoportunos.

Finalmente, o terceiro fato. O porquê de uma pessoa ser cavalheira.
Mais uma vez volto à definição, e para quem a lê de modo simplista, ou simplesmente não é a favor de ajudar indiferentemente do motivo, não entende o porquê de uma pessoa ser cavalheira. Bem… sinceramente falando, até eu me pergunto até que ponto vale a pena, mas isso não vem ao caso, posto que ao menos nessa parte da escrita a intenção é manter o máximo de imparcialidade possível.
Pois bem, como também foi dito, “as pessoas gostam de pessoas cavalheiras”, e isso é fato. Logo, mesmo que à carater mais rude, que seria o interesse, há uma boa razão para a existência do cavalheirismo, e essa razão é justamente porque esta é vista como uma qualidade importante na sociedade, seja atual, seja feudal. O cavalheiro é visto com outros olhos, como “alguem que se importa”, e isso por sí já é bom.

Agora, venhamos ao fato: isso realmente é verdade? As pessoas definitivamente gostam dos cavalheiros? As pessoas realmente gostam de serem cavalheiras?
Quanto mais tempo passa, fica evidente que essas duas questões estão mortas. Não há sentido em menhuma porque ninguém mais liga para esse tipo de qualidade(sim, agora não estou mais sendo imparcial), e muito menos pessoas dão valores ao fato de serem elas mesmas cavalheiras. Hoje, é mais fácil manter distância de qualquer tipo de obrigação, bem como é mais fácil se relacionar com quem é exemplo exímio de futilidade, a se misturar com quem possui princípios bem firmes e sólidos… Quem pensa, em fazer a diferença, cansa. E cansa rápido…

Um relacionamento com a futilidade não tem determinadas características que um relacionamento com sentimento tem. Se é possível sempre estar à distância, só aparecer quando se queira algo(a base do mercantilismo), e se desligar ao menor momento de necessidade. É simples, rápido, e fácil.
Já com sentimento a coisa fica bem mais complicada… afinal, como o próprio nome diz, têm sentimentos envolvidos. Evidente que em um final o desligamento é muito mais complicado, longo, e muitas vezes deprimente. Mas, o meio… ah o meio… vivam para saber. Eu contar não posso.

E, aí que finalmente entra a colocação do cavalheirismo. Assim como as relações se banalizaram, o ficar se instaurou, o amor foi morto e cremado, o cavalheirismo também. Do mesmo modo como as pessoas indicam que coisas importantes são as interiores aos outros, mas mentem posto que só se interessam pelo esteriótipo exterior, o cavalheirismo é visto como uma qualidade virtual: se diz ue gosta, que é importante, mas ao conhecer alguem que o efetivamente possui, se desvaloriza.
Hoje em dia é uma procação ser cavalheiro, bem como é uma provação saber amar. Talvez mais simples e comodo fosse ser como todo o resto desse resto de escória que anda pelas ruas, mas aquele que cresceu sendo cavalheiro, amando e sendo amado pela familia, amigos e afins, não muda tão rápido do pessoa para o resto de escória. Há uma fase de adaptação(ou não).

É triste ver que no fundo a adaptação é praticamente impossível de ser impedida. Definitivamente, quem consegue lutar sozinho contra o mundo todo? Darwin diria que se adaptar seria evoluir, mas a evolução em certos aspectos é realmente necessária? Será que estamos nos destruindo tanto ao ponto de matar o cavalheirismo e toda a sua história de séculos? Será que os grandes escritores amantes estariam concordando ou discordando do que aqui está escrito? Provavelmente… não perderiam seu precioso tempo lendo…

Se você que lê, ainda é um dos poucos em fase de adaptação, ou dos que ainda está se recusando a entrar no “Mundo de anões, ou de gigantes”, eu desejo-lhe boa sorte. É realmente inspirador saber que ainda possa existir esperança em algum lugar por esse mundo afora.

Claro que… quanto a mim… a adaptação já está quase completa. Quem sabe, enfim, o certo seja logo sucumbir a essa “evolução às avessas” e deixar todo o resto.

Desistir de tudo de uma vez…

Fazia tempo não? Pois é… eu finalmente tive tempo, calma, paciência, e vontade pra escrever esse texto que estava incompleto a mais de meses… O resultado pode não agradar a todos, mas fato é que

~ por K Stênio em Março 23, 2009.

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