Ensaio sobre as Emoções, vistas de um ponto de vista Matemático
Entre três livros, quieto, com sono, e esperando com esmero por companhia, pus-me a ler. O primeiro, de toral e completa sinfonia matemática, me fez somente ter vontade de ler o terceiro(o segundo, nem mesmo matemática concisa possuía: só mesmo a “matemágica” tão “bem” empregada por engenheiros).
Pois bem, faltavam poucas páginas para terminar, cerca de vinte, e me coloquei a eliminar essa missão(logicamente, livrar-me-ia do sono ao fazê-lo). O livro, que em suma, contava fatos acerca da vida de um ser sem razão, significados ou escrúpulos. Entre esse, encontro uma frase que, por sua simplória arquitetura e grandiosa fundição me cativou. A frase dizia “As emoções não apreciam ordem fixa”, e fiquei pensando…
“As emoções não apreciam ordem fixa” vai muito além do que a frívola fuga do criador da oração de sua vida miserável. As emoções chegam a dar a volta ao mundo(e deram!) se preciso, se considerado necessário.
Aqueles que conhecem-me do dia-a-dia, e que, logicamente, não sabem em nada sobre que penso, podem inferir negativamente em toda a malha filosófica que teço para começar a explicar(ou desexplicar) a incapacidade de ordem nas emoções. Já aos que me conhecem dos escritos, ou aos raros amigos(creio que todos não devam discordar que é raro se ter amigos, posto que as consequências implícitas por se ter uma real relação de amizade são tenebrosas), imagino que me entendam muito bem…
Pois bem. Então, que são as emoções?… Se você teve coragem de acompanhar meu raciocínio semi-lógico até este ponto, deve certamente possuir uma opinião formada(ou em exata atual formação) em mente. Reflita… vou dar-te um tempo para solidificar sua própria opinião, para que dessa forma possa concordar, ou até mesmo discordar, melhor com o que profiro.
(…)
Feito? Pois bem, prossigamos…
(…)
Traduzindo matematicamente, eu diria que os sentimentos são reais. Não importa que sentimento seja, bom ou mal, positivo ou negativo, é sempre possível encontrar uma magnitude real referente ao grau de cumplicidade com um determinado sentimento. De igual modo, é sempre possível encontrar valores reais tão próximos quanto se queira dessa magnitude, seja para maior ou para menor; assim então, defino continuidade em magnitude de sentimentos(o que é uma característica real). Se o sentimento buscado for o oposto, multiplicai-lo por um negativo, e eis teu oposto real. Se somas o sentimento com teu oposto, encontra a nulidade, que seria a inexistência de sentimento(note que isso NÃO é indiferença, que já estou a tratar…).
Nessa escala real, podemos descrever diversos tipos de sentimentos, e quem sabe até colocá-los em ordem. As relações de coleguismo podem ser consideradas como um simples número, por exemplo em [0,x](escolha x ao seu bel prazer), as relações de interesse, dependendo de sua natureza, podem ficar tanto no mesmo intervalo, como em maiores(ou menores). Amizade verdadeira poderia ser escrito de forma de série infinita, mas ainda assim convergente(e o Ódio… bom, talvez como uma série alternada, dada sua estranha constituição, e sua bizarra aproximação com o amor). Amor verdadeiro, não importa de qual natureza: fraternal, maternal, paternal, de amigos, de companheiros de beijos e sonos(mas preferencialmente “acordados”, se é que me entendes), posso descrever como um limite simples, x, mas com x tendendo a infinito. E no caso da indiferença, apenas pense no mesmo limite, com o limite indo para infinito negativo… Esses limites sim, de tão grande, divergem.
Agora, que dizer sobre as emoções? Você aceita que pode ser uma emoção escrita de tal forma? Como real? Se sim, é aí que discordamos(se é que não discordamos já). Pois, acredito fielmente no “As emoções não apreciam ordem fixa”, e não apreciando a ordem, posso apenas matematicamente dizer que as emoções são complexas. Elas podem ser tão grandes quanto se queira, mas agora temos dois eixos para postar suas componentes. Um, real, correspondente ao que se vê, é demonstrado, é sentido: o eixo real, é o eixo apresentado nas duas estrofes anteriores. Segundo, um eixo imaginário, onde nada se pode ver. Não se pode perceber as sutilezas em cada ponto do eixo imaginário. É nele que os pequenos detalhes, não vistos no sentimento puro e simples, são encontrados. E, como complexas, as emoções não seguem nem admitem prova e demonstração dos axiomas de ordem. Portanto: não possuem ordem: “…não apreciam ordem fixa”, por mais que sejam um corpo bem definido.
As emoções vão bem além justamente poe estarem intrinsecamente ligadas aos sentimentos. Como já falei, uma emoção, obrigatoriamente, deve possuir parte imaginária. E elas podem, ao mesmo tempo, possuir diversos estágios. Não entendeu? Vou dar um exemplo prático:
É muito fácil, e talvez trivial dizer que se está apaixonado por alguém. A paixão, como bem sabemos, é uma emoção, não um sentimento, mas é definitivamente claro para qualquer um que, ela está intimamente ligada ao amor, certo? Perfeito. Pois então, você acredita que todo tipo de apaixonamento é igual? Se não, deve ser adepto ou da tese de que só existe o apaixonamento “perfeito”, ou de que existem níveis de apaixonamento(outra tese? Ótimo, me elucide mais tarde!). Vou falar que os apaixonamentos não são iguais, e não são mesmo, mas o que os difere é a mais simples pura magnitude no eixo imaginário. Uma pessoa apaixonada, não importa qual tipo de apaixonamento, deve possuir a mesma magnitude no eixo real: resumindo o mesmo sentimento(que se espera ser amor verdadeiro. Se não for, sinto muito, você não se enquadra no quadro de pessoas apaixonadas… talvez “gostar muito”, quem sabe…). Mas, o nível de loucuras, o nível de pequenos detalhes, o quão se está preparado para fazer tudo por aquele que se ama, isso, que é algo que não se pode ver, apenas inferir(e que o experimento mostrará se a hipótese é concisa ou não), isso está no eixo imaginário. O que pudesse ser tratado como apaixonamento “perfeito” seria um limite básico: a+bi, com a e b tendendo a infinito. Diverge. Nos dois eixos. Para o apaixonamento “insano”, apenas tome b tendendo a menos infinito. Continua divergindo…
O caso que exemplifiquei é apenas uma singela das muitas opções. Quantas emoções não podem existir, com níveis iguais de sentimento, mas com infinitos níveis, positivos ou negativos, de “loucuras”?(agora, para evitar voltar ao formalismo matemático, entenda-se por: “loucuras” = “magnitude no eixo imaginário”) Quantas não são as diferentes e emoções que podemos experimentar, posto que qualquer ínfima variação em qualquer eixo nos dá, ou nova emoção, ou emoção em nível diferente? Quantas vezes não começamos uma amizade, que com o passar do tempo, se torna infinitamente mais forte, o nível de loucuras praticamente infinito, ou uma quase indiferença à alguém que já foi seu melhor amigo? De qualquer modo, ainda é amizade, só não a “perfeita”. O mesmo vale para as relações entre familiares. O mesmo vale para as paixões que começam simplórias, e eventualmente se tornam “perfeitas”.
Pois é, meu caro leitor. “As emoções não apreciam ordem fixa”, elas simplesmente preferem voar livremente pela imensidão de possibilidades lhes conferidas.
Deixe, então, o medo de abraçar uma emoção. Dê a si próprio uma chance de escolher um sentimento, e crescer sua magnitude em loucuras. Se tem uma amizade, tente torna-la perfeita. Se tem uma paixonite, tente torna-la um apaixonamento perfeito. Se a realização profissional foi alcançada, por que não levar o prazer do trabalho à perfeição. Se o carinho carnal foi alcançado, por que não levá-lo ao êxtase? Como todo ser buscando evolução, busque perfeição. E, claro, tome cuidado com a displicência: ao levar o nível de loucura a muito negativo, o sentimento tende a ser multiplicado por menos um, e é aí que um amigo não se torna mais amigo, que um pai se torna inimigo, que uma namorada vira bruxa e que amor vira indiferença.
Matemática. O segredo de tudo está na matemática…
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Não é preciso muita coisa a se dizer, não? Afinal, já expliquei a origem do texto nele próprio…
Ah! Discordâncias? Comente e discutamos!

como que se bate palmas em comentário? rs… Amei. Nem tem mais o que dizer. Palmas!
Aninha disse isso em Outubro 29, 2009 às 8:40 pm |